E
por falar em...
"Valorizar"
Olha só como era tratado o povo do santo antigamente...
Reportagens do Jornal "A Gazeta" de 1939, Que
Relatam Fatos de Perseguição e Repressão aos
Cultos Afro-Brasileiros.
A
Gazeta - Vitória, Domingo 2 de julho de 1939
A
Macumba foi interrompida Os participantes do "Cangerê"
foram presos. Por intermédio da delegacia do 2º distrito,
localizada em Santo Antônio, a chefatura de polícia
foi cientificada que naquele bairro, realizara-se na noite de sexta
para sábado uma macumba daquelas de arrepiar os cabelos.
De
serviço estava o inspetor do corpo de segurança, Clemente
Campos, que imediatamente determinou a ida da "viuvinha"
para a arrecadação dos macumbeiros e comparsas.
Chegando
ao local, a "viúva" que era tripulada por vários
soldados, dirigiu-se aquela delegacia, onde já se esperava
o tenente João José do Nascimento que se dirigiu para
a casa onde eram efetuados os "trabalhos".
Na
prática do baixo espiritismo, isto é "sambando"
sob a "orientação dos cabôcos e santos"
e "salvando a linha de Umbanda e candomblé" se
achavam vários indivíduos, que, entretanto, conseguiram
escapar pelos fundos da casa, à aproximação
da "canoa" policial.
No
interior da casa foram presos os indivíduos Otávio
José da Silva, Ezequiel Batista dos Santos, Maria Soares
e Graciliana de Oliveira. Estavam os macumbeiros uma parte em um
salão amplo e outra em torno de uma mesa onde se achavam
velas, santos, rosários, bentinhos e outros apetrechos usuais
nas cerimônias.
Surpreendidos
pois que não foram avisados pelos fugitivos, no que se demonstraram
ser "desiguais", os "médiuns" não
puderam escapulir nem sequer disfarçar sua atitude invocadora
dos habitantes do além .
Para
o quintal se dirigiram os policiais, porquanto ouviram barulho num
galinheiro onde se encontravam mais dois "adeptos" que,
tendo maus presságios, trataram-se de se por ao fresco. Foram
os macumbeiros trancafiados na "viúva" e encaminhados
a chefatura de polícia onde se recolheram no xadrez.
A
Gazeta - Vitória, Sábado 28 de julho de 1939.
Macumbeiros
nas grades!!!
Um morador do morro de São Francisco apresentou queixa a
chefatura de polícia contra o indivíduo Augusto Ricardo
dos Santos e sua amasia Maria Américo, sob a alegação
de que se entregavam a pratica do baixo espiritismo.
O
comissário Américo Machado, de dia ordenou uma "batida"
no local a fim de verificar a procedência da denúncia.
Sai
a carro policial e depois de divagar pelo morro, conseguiu localizar
a morada de Augusto que em uma casa de aparência modesta,
imediatamente lhe foi dada voz de prisão. Bem como a sua
amante e os dois foram levados a chefatura para prestar declarações.
Lá após ser ouvido contou que realmente Raimundo o
"pai de Santo" declara Ter propriedades sobrenaturais.
Na
casa de Ricardo as sessões de "canjerê" ou
de macumba eram mesmo de arrepiar e tomando por termo o que informou
o macumbeiro várias são as pessoas de representação
social que procuram a sua habitação para descarregar
os espíritos maus e aliviar os padecimentos físicos
e morais que os atormentam.
Segundo
também ficou depreendido, Raimundo na mesma residência
tolera encontro clandestino de casais que ali encontram seguro refúgio.
Apesar
de seus dotes espirituais os macumbeiros com todos os seus caboclos
orixás e a "linha" que trabalha não conseguiu
demover o comissário Machado de o trancafiar juntamente com
sua amásia no xadrez.
Mostrou-se
o "pai de Santo" tão insolente no decorrer do interrogatório
que sem acatar a presença das autoridades policiais declarou
taxativamente que ainda se vingaria do seu denunciador.
A
Gazeta - Vitória - Sábado, 09 de Setembro de 1939.
Macumba
em Função
Encontrado
mais um despacho!
O
capixaba - repórter, sempre pronto a colaborar conosco na
obra de construção da nossa sociedade e amante que
é de sua terra, sempre nos presta seu subsídio espontâneo,
com o fito de corrigir situações equivocadas coibir
abusos e mesmo nos colocar ao corrente de fatos que ignoramos dado
a multiplicidade de nossas ocupações.
Ainda ontem, fomos advertidos pelo nosso amigo leitor que nas proximidades
da cabeceira da ponte Florentino Ávidos havia um autentico
"despacho" oriundo de alguma macumba das proximidades.
Já tivemos ocasião que empreender um movimento enérgico
para a repressão a essas práticas vexatórias,
o que nos valeu ameaças tremendas, contidas em bilhetinhos
lacônicos nos quais os "macumbeiros" nos advertiam
que enveredáramos por uma trilha insidiosa...
Apesar
desses avisos nada nos deteve na campanha que felizmente encontrou
eco na polícia a qual se pos em campo, saneando o ambiente
e "enclausurando" os chamados macumbeiros ou Pais de Santos,
a nos valermos da designação do ritual.
E não podíamos deixar de prosseguir nessa campanha
louvável por todos os títulos e princípios
por isso que a macumba, ou baixo espiritismo, ou ainda "espiritismo
de terreiro", causa maiores males que a mais contagiosa doença,
pois esse combate e aniquila o físico, enquanto que aquela
degenera e corrompe caracteres, causando maior número de
vítimas.
No
decorrer da nossa luta contra os sabichões que exploram o
comércio de macumbas, fizemos sentir ao público as
nefastas atividades desses indivíduos que, com lábias
a infundindo terror, se apossam dos espíritos débeis.
Esses em sua maioria tornam-se joguetes para deles tirarem o máximo
de partido, explorando-os impiedosamente. Depois de avassalados
os "macumbeiros" esses entes fracos que não sabem
opor a adversidade a sua energia, não tem o devido estoicismo
para suportar sobranceiramente os reveses, tornando-se verdadeiras
"minas" que são explorados de toda maneira. O "despacho"
encontrado tinha tudo o que o "dogma" exige: galinhas
pretas, moedas etc... Talvez tirados de algum que com aquela importância
despendia em "sacrifício" do caboclo, daria fartamente
para o sustento de sua família.
Aos
macumbeiros esperamos que a polícia mova uma repressão
tenaz, uma luta sem tréguas. Queremos
ver se eles conseguem demover a polícia em seus propósitos
saneadores ou deter-lhes os passos, quando acossados, como oferendas
“imoladas” caprichosas e novelmente glutões.
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