Ewá
é uma bela virgem que entregou seu corpo jovem a Xangô,
marido de Oya, despertando a ira da rainha dos raios. Ewá
refugiou-se nas matas inalcançáveis, sob a proteção
de Oxossi, e tornou-se guerreira valente e caçadora abilidosa.
Conseguiu frustrar a vingança de Oyá, afastou de
si a morte certa. É isso o que mostra um de seus mais belos
Orikís:
Era mais do
que o medo...Era o medo...
Era a noite, na noite do medo...
Era o vento, era a chuva, era o céu, era o ar...
Era a vingança de Oyá...EpaHei!
Assustava o escuro da noite e assustava a luz azulada dos raios...
O silêncio se ouvia da noite nos pés medrosos
Que corriam sobre as poças de água na areia batida.
Até o silêncio fugia do rugido do trovão...
Era o medo, era mais do que o medo de Ewá
Correndo com os pés descalços sobre as poças
de areia batida.
O mar lambia seus pés,
Querendo tragá-la por sua boca faminta de coisas vivas.
A noite engolia em sua goela escura e a vomitava no clarão
dos raios...
A luz azulada dos raios brilhando no corpo nú e úmido
de Ewá.....
As virgens contam com a proteção de Ewá e,
aliás, tudo que é inexplorado conta com a sua proteção:
a mata virgem, as moças virgens, rios e lagos onde não
se pode nadar ou navegar. A própria Ewá acreditam
alguns, só rodaria na cabeça de mulheres vírgens
(o que não se pode comprovar), pois ela mesma seria uma
virgem, a virgem da mata virgem dos lábios de mel.
Ewá domina a vidência, atributo que o deus de todos
os oráculos, Orunmilá lhe concedeu.
Na África, o rio Yewá é a morada dessa deusa,
mas sua orígem gera polêmicas. A quem diga que, a
exemplo de Oxumaré, Nanã, Omulú e Iroko,
Ewá era cultuada inicialmente entre os Mahi e foi assimilada
pelos Iorubás e inserida em seu panteão. Havia um
Orixá feminino oriundo das correntes do Daomé chamado
Dan. A força desse Orixá estava concentrada em uma
cobra que engolia a própria cauda, o que denota um sentido
de perpétua continuidade da vida, pois o círculo
nunca termina.
Ewá seria a ressignificação de Dan ou uma
de suas metades --A outra seria Oxumaré. Existem, porém,
os que defendem que Ewá já pertencia à mitologia
Nagô, sendo originária na cidde de Abeokutá.
Estes, certamente, por desconhecer o panteão Jeje --No
qual o Vodun Eowa, da família Danbirá, seria o correspondente
da Ewá dos Nagô, --Confundem Ewá com uma qualidade
de Yemonjá. Erram porque Ewá é um Orixá
independente, mas sua orígem não se esclarece sequer
entre os Jeje, pois em respeitados templos de Voduns afirma-se
que Eowa é Nagô.
Eowá foi uma cobra muito má e por isso foi mandada
embora. Acabou encontrando abrigo entre os Iorubás, que
a transformaram em uma cobra boa e bela, --A metade feminina de
Oxumaré. Por esse motivo, Oxumaré e Ewá,
em qualquer ocasião, dançam juntos.
Notas
bibliográficas
Candomblé. A panela do segredo - Pai Cido de Osun Eyin -
2000