Origem
e História
Logun Edé
(lógunèdè) é o orixá da riqueza
e da fartura, filho de Oxum e Oxóssi, deus da guerra
e da água. É, sem dúvida, um dos mais bonitos
orixás do Candomblé, já que a beleza é
uma das principais características dos seus pais.
Caçador habilidoso e príncipe soberbo, Logun Edé
reúne os domínios de Oxóssi e Oxum e quase
tudo que se sabe a seu respeito gira em torno de sua paternidade.
Apesar de sua história, é preciso esclarecer que
Logun Edé não muda de sexo a cada seis meses,
ele é um orixá do sexo masculino. Sua dualidade
se dá em nível comportamental, já que em
determinadas ocasiões pode ser doce e benevolente como
Oxum e em outras, sério e solitário como Oxóssi.
Logun Edé é um orixá de contradições;
nele os opostos se alternam, é o deus da surpresa e do
inesperado.
Na Nigéria, a cidade de Logun Edé chama-se Ilesa
e é uma das mais ricas e prósperas da África,
mas o seu culto na região está em via de extinção.
Para recuperar um pouco de sua história é preciso
voltar à sua cidade, onde encontram-se seu palácio
e seus principais sacerdotes.
Na África negra, dizem que Logun Edé seria na
verdade Ólòlún Ode - o guerreiro caçador-,
o maior entre todos os caçadores, pai de todos eles,
inclusive de Oxóssi. E se observar-mos a cantiga de Oxóssi,
veremos que expressão Omo ode, ou seja, filho do caçador,
é constante, podendo inferir certa lógica nas
histórias contadas pelos africanos. Vejamos um exemplo:
Omo Ode
l’oní, omo Ode lúwàiyé
Omo Ode l’oní, omo Ode lúwàiyé.
O filho
do caçador é o senhor,
O filho o caçador é o senhor da Terra.
Todavia,
não podemos desconsiderar o processo cultural que deu
origem ao Candomblé e as diferenças fundamentais
que existem entre os cultos aos orixás no Brasil e na
África. O Candomblé é um ‘resumo
de toda a África mística’. Muitos deuses
que na África mantinham a sua autonomia, no Brasil foram
reunidos em um único orixá e divididos em diversas
qualidades.
Oxum Yéyé Ipondá e Odé Erinlé
são, respectivamente, as qualidades de Oxum e Oxóssi
que se consideram os pais de Logun Edé. Nós brasileiros
sabemos cultuar orixá muito bem, já adquirimos
tradição própria que difere, evidentemente,
da africana. No Candomblé brasileiro, Oxóssi e
Oxum são os pais de Logun Edé, um deus único
que encontra em sua paternidade uma forma de existir e residir,
pois seu culto se mantém até hoje e é cada
vez mais crescente no Brasil. Depois há quem diga na
África que Logun Edé é, na verdade, uma
altiva versão masculina da própria Oxum:
Lógunèdé? Òsun ni!
Logun
Edé? Ele é Oxum!
Uma bela
cantiga fala do pai de Logun Edé, de sua força
como caçador do respeito que inspira:
Silêncio!
Permaneçam em silêncio,
Ele é o caçador.
Senhor orixá afogue-me, não me fira,
Afogue-me com o entendimento do culto,
Orixá caçador das florestas.
Aquele que só usa uma flecha
E que jamais erra.
Somos filhos de Erinlé,
Somos filhos daquele que mata a caça.
Caçado das florestas
Que foi o primeiro a obter riquezas,
O primeiro a tornar-se rico,
Pai, caçador das florestas,
Seu arco e sua flecha
Originam-se da mais alta tradição.
A história
revela que Oxóssi, feliz pelo filho vindouro, declarou
a Oxum o seu amor e pediu a ela posse do menino:
-Oxum, por amor a você, quero que Logun Edé fique
comigo, vou ensiná-lo a caçar. Comigo ele aprenderá
os segredo da floresta.
Mas Oxum também amava Logun Edé e por maior que
fosse seu amor por Oxóssi ela não poderia separar-se
de seu filho então declarou:
-Logun Edé viverá seis meses com sua mãe
e seis meses com o seu pai, comerá do peixe e da caça.
Ele será Oxóssi e será Oxum, mas sem deixar
de ser ele mesmo, Logun Edé: uma princesa na floresta
e um caçador sobre as ondas!