Orígem
e História
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Obasy, rio revolto
- Obasy, mística e idosa, com bons costumes, porém,
grosseira.
- Obasy, mulher valente, orixá de uma orelha só.
- Obasy, quando em fúria transborda, agita-se.
Obasy
é a senhora da sociedade elekoo, porém no Brasil
esta sociedade está muito restrita, sendo assim , esta
sociedade passou a cultuar egungun. Deste modo, obasy é
a senhora da sociedade lesse-orixa. Ela é uma das três
esposa de xangô. Oxum aconselhou a ela que retirasse
uma das orelhas para dar a xangô em um prato de caruru,
ela o fez, quando viu que oxum não tinha feito isso
antes, evocou-se e as duas brigaram, xangô em sua ira
as expulsou de casa, transformando-as em dois rios.
Tudo relacionado
a Obasy é envolto em um clima de mistérios,
e poucos são os que entendem seus atos aqui no Brasil.
Certas pessoas a cultuam como se fosse da família ji,
ao passo que outras a cultuam como se fosse um Xangô
fêmea. Obasy e ewa são semelhante, são
primas e ambas possuem oro omi osun. Ela usa ofá (arco
e flecha) assim como Ewa e ambas são identificadas
também com Odé. Obasy usa a festa da fogueira
de xangô para poder levar suas brasas para seu reino,
desta forma é considerada uma das esposas de xangô
mais fieis a ele.
OBA é
ORIXÁ ligado a água, guerreira e pouco feminina.
Suas roupas são vermelhas e brancas, leva um escudo,
uma espada, uma coroa de cobre. Usa um pano na cabeça
para esconder a orelha cortada. Conta e lenda que OBA, repudiada
por XANGÔ. vivia sempre rondando o palácio para
voltar.
XANGÔ
fica horrorizado com a mutilação e expulsa-a
para sempre. 0 tipo psicológico dos filhos de OBA,
constitui o estereotipo da mulher de forte temperamento, terrivelmente
possessiva e carente. Ao contrário de IANSÃ,
é mulher de um homem só, fiel e sofrida. São
combativas, impetuosas e vingativas. OBA é um ORIXÁ
que raramente se manifesta e há pouco estudo sobre
ela. Talvez porque nos dias de hoje, mesmo na África
ou Brasil, não há espaço para essas caracteristicas
do feminino, que cada vez mais recupera seu poder de YANSÃ.
Obá
é amulher consciente de seu poder, que luta e reinvidica
seus direitos, que enfrenta qualquer homem --menos aquele
que tomar seu coração. Ela abraça qualquer
causa, mas se rende a uma paixão. Obá é
a mulher que se anula quando ama.
Obá nasceu do ventre rasgado de Yemonjá após
o incesto de Orugan, ela e mais um sem-número de Orixás.
Em toda a África Obá era cultuada como agrande
deusa protetora do poder feminino, por isso também
é saudda como Iyá Agbá, e mantém
estreitas relações com as Iya Mi. Era uma mulher
forte, que comandava as demais e desafiava o poder masculino.
Obá lutou contra todos os Orixás, venceu a batalha
contra Oxalá, derrotou Xangô e Orunmilá,
e tornou-se temida por todos os deuses.
Obá,
Obá, Obá,
Orixá do ciúme,
Terceira mulher de Xangô.
O açoite do ciúme gravado na carne.
Fala da fama do marido,
Move mágoas na madrugada,
Come cabrito pela manhã.
Discutindo
cm Oxum,
Não foi a Kossó com Xangô.
Obá abraça os braços do marido,
A parte do seu corpo que a prende
Obá sabe que é bom.
Embora
Obá tenha se transformado em rio, é uma deusa
relacionada ao fogo, pois, quem conhece o rio Obá,
na Nigéria, sabe que é um rio de águas
revoltas, em constante movimento, por isso é sinônimo
de fogo.
Obá é saudada como o Orixá do ciúme,
mas não se pode esquecer que o ciúme é
o colário inevitável do amor, por tanto Obá
é um Orixá do amor, das paixões, com
todos os dissabores e sofrimentos que o sentimento pode acarretar.
Obá tem ciúme porque ama.
O lado esquerdo (Osì) sempre esteve relacionado à
mulher e, por uma razão muito elementar, é o
lado do coração. Quando Obá é
saudada como guardiã da esquerda, isso quer dizer qe
é a guardiã de todas as mulheres, aquela que
compreende os sentimentos do coração, pois Obá
pensa com o coração.
Como pode uma deusa ligada a esses sentimentos, se dedicar
à guerra? Toda energia de suas paixões frustradas
ela canaliza para a guerra, tornando-se a guerreira mais valente,
que nenhum homem ousa enfrentar. Obá supera a angústia
de viver sem ser amada. Mas será que Obá nunca
foi amada de fato?
Obá
troca um palácio por uma tapera, troca todas as riquezas
do mundo por uma frase: "Eu te amo".
Notas
bibliográficas
Candomblé. A panela do segredo - Pai Cido de Osun Eyin
- 2000